Taranga, significa terra de hospitalidade, de seu nome Senegal! – Relato da Visita ao Senegal

Taranga, significa terra de hospitalidade, de seu nome Senegal. Entre 11 e 16 de dezembro de 2016, quatro escolas de Portugal (Agrupamento de Escolas Carlos Amarante de Braga, Agrupamento de Escolas do Entroncamento, Agrupamento de Escolas de João de Barros e a Escola Secundária Manuel Cargaleiro, estas duas últimas do concelho do Seixal) foram premiadas pela Fundação Calouste Gulbenkian – uma experiência única no Senegal para aprender sobre cidadania global e partilhar metodologias e experiências de trabalho oriundas de 7 cantos do mundo – Roménia, Chipre, França, Croácia, Itália, Portugal e o nosso anfitrião, Senegal, que nos acolheu com a dignidade de quem compreende efetivamente o lema deste projeto EAThink, “Eat local, Think Global”.

Grupo Europeu

Os dias que ali vivemos foram muito preenchidos. Estávamos ali para aprender uns com os outros e partilhar as experiências educativas em cada um dos países e escolas. Sem muros e preconceitos, sem descriminações, sem comparações, porque a cidadania é exactamente isso. É ter a capacidade de ouvir e respeitar, aprender com o outro, comunicar os afetos que cada projeto, cada experiência.

O dia 12 de dezembro foi passado nas instalações da ACRA, a fundação italiana, responsável por vários projetos de desenvolvimento sustentável, incluindo o EAThink. Foi um dia dedicado às apresentações oficiais, contextualizando as diversas realidades e experiências pedagógicas das várias escolas. Mais tarde iríamos desenvolver o projeto de cada escola partilhando metodologias ativas. Neste contexto, a apresentação da Escola de Dakar deu-nos uma importante lição sobre cidadania global, colocando questões pertinentes sobre a importância da cidadania ativa. Um dos cartazes de divulgação afixado nas instalações da ACRA ilustrava bem esta ideia “Aprender para saber, saber para agir e agir para mudar”.

No dia seguinte visitámos a escola primária de Scat Urbam, nos arredores de DAKAR e foi o primeiro contacto com o sistema educativo senegalês, explicado por uma das professoras e pelo Diretor da Escola. Aqui nos confrontamos com as condições e as carências da escola, mas com uma enorme disponibilidade do tamanho do mundo para aprender e Escola Scat Urbampartilhar. As jovens empreendedoras do projeto Eathink na sua Escola foram incansáveis nas explicações sobre o que cultivavam e como cultivavam a sua horta. O verde e os aromas sobressaíam do substrato que servia de suporte às plantas, constituído de casca de amendoim e de arroz. Via-se no rosto daquelas meninas a importância em contribuir para uma alimentação saudável, para a sustentabilidade dos processos de produção familiar.

Deixámos aquela escola com a sensação de que é cada vez mais importante dar força a iniciativas promotoras de desenvolvimento local sustentável, tal como o projeto de cooperação Milão-Dakar – os micro-jardins urbanos –, semelhantes às hortas comunitárias, que fazem o sustento de algumas famílias e que tivemos oportunidade de conhecer.

O dia 14 de dezembro era novamente um dia em cheio. 160 km era a distância que teríamos de percorrer em direção a Kébémer, a noroeste de Dakar, onde iríamos ter uma outra experiência educativa, uma das mais ricas que já vivi. A escola constituída por vários edifícios e mobiliário já muito gasto pelo tempo, onde todos os dias as 952 crianças alunos e alunas, entre os 4 e os 15 anos, aprendiam a ser homens e mulheres. Uma média de 50/60 alunos e um corpo docente de 27 professores trabalhavam afincadamente. Nunca vi no rosto dos professores e professoras um lamento. Ouvi relatos de esperança, palavras que transmitiam o dever e o prazer de aprender, aprender a ser, aprender a agir. Todos e todas, sem exceção!

Ainda houve tempo para partilharmos uma metodologia ativa (role-playing) a partir de um jogo sobre a sustentabilidade dos recursos piscatórios que um dos professores da delegação francesa partilhou connosco e pensar em formas mais ativas de participação no blog do projeto.

No dia 15 de dezembro, pela manhã, partimos de barco para a ilha Gorée, um antigo reduto de escravos. Um local magnífico onde hoje se respira liberdade e tradição, uma ilha de artistas que se misturam com as cores quentes das fachadas das casas. Património da UNESCO, é hoje um lugar preservado para preservar! E estamos quase a chegar ao fim da nossa missão. Hoje o dia é dedicado às compras, no mercado de Sandala, em Dakar, para todos e todas distribuírem pelos 6 cantos da Europa – Roménia, Croácia, Chipre, Itália, França e Portugal – o sentido da vida, da cor, dos aromas e, sobretudo, dar valor à aprendizagem de ser e estar em cada local, sempre numa perspectiva global, sem muros, sem fronteiras, sem preconceitos. Comunicar e partilhar, uns com os outros, com o corpo, com as palavras, com os sentidos, estar no mundo e com o mundo para que esta grande casa que é a nossa Terra seja um lugar de todos e para todos.

       Fátima Veríssimo – Escola Secundária Manuel Cargaleiro

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